Audiobook – O Mito do Partido [100 Anos de Revolução Russa]

O Mito do Partido
Símbolo da Escravidão Moderna
Nota:
Este texto foi reunido e publicado pela primeira vez pela revista anarquista
“RUTA”, da Venezuela, em seu número 15 (setembro de 1973), e reeditado
por Ofícios Vários, integrante da FORA em Tucumán, na edição que usamos
para a tradução. Nesta compilação publicamos apenas a primeira parte, de
autoria da Federação de Estudantes Libertários. A segunda parte, de autoria
do grupo Orobon Fernandez, Espanha, pode ser encontrada na publicação
acimacitada, em espanhol. Setiver interesse, entreem contato!

A Revolução não é obra dos Partidos
As revoluções de tipo social não são efetuadas por “partidos”,
grupos ou equipes: acontecem como resultado de forças históricas e
contradições que põem em atividade amplos setores da população.
Traduzem-se não só – como afirma Trotsky – porque as “massas”
percebem como insuportável a sociedade existente, mas também
como conseqüência da tensão entre o atual e o possível, entre “o
que é” e “o que poderia ser”. A miséria por si só não produz
revoluções. A maior parte das vezes causa uma desmoralização inútil
ou, o que é pior, a luta privada e pessoal para sobreviver.
A Revolução Russa de 1917 gravita na consciência de todos como
um pesadelo, porque foi em grande parte a conseqüência de
“condições insuportáveis” de uma guerra imperialista devastadora.
Os sonhos nela contidos foram pulverizados por uma guerra civil
ainda mais sangrenta, pela fome e traição. O que emergiu da
revolução foi a ruína, não de uma velha sociedade, mas das
esperanças de construir uma nova. A Revolução Russa falhou
lamentavelmente ao substituir o czarismo pelo capitalismo de Estado.
Os bolcheviques foram as trágicas vítimas de sua ideologia e em
grande número pagaram com suas vidas durante a purgação dos
anos trinta. Buscar adquirir sabedoria profunda deste frustrado ensaio
revolucionário é ridículo. O que podemos aprender das revoluções do
passado é o que todas elas têm em comum, e suas profundas
limitações, se comparadas com as enormes possibilidades que agora
se abrem ante nós.
O traço mais surpreendente das revoluções passadas é que se
iniciaram espontaneamente. Tanto quando se examinam os
precedentes da Revolução Francesa de 1789, como quando se
estuda a de 1848, na Comuna de Paris, a revolução russa de 1905, a
queda do czarismo em 1917, a revolução húngara de 1956, ou a
greve geral francesa de 1968, as fases iniciais são geralmente
idênticas: um período de fermentação que se transforma
espontaneamente em uma insurreição popular. Que esta triunfe ou
não depende de sua resolução ou de se o Estado pode empregar
com eficácia sua força armada, ou seja, se as tropas podem ser
lançadas contra o povo.
O “partido glorioso”, lá aonde existe, vai quase invariavelmente
atrás dos acontecimentos. Em fevereiro de 1917 a organização
bolchevique de Petrogrado se opôs à declaração de greve,
precisamente no momento em que a revolução estava destinada a
expulsar o czar. Felizmente, os trabalhadores ignoraram a “direção”
bolchevique e proclamaram a greve em todas as partes. Nos
acontecimentos que se seguiram, ninguém se viu mais surpreendido
pela revolução que os partidos “revolucionários”, incluindo os
bolcheviques. O recorda o líder bolchevique Kayurov com estas
palavras: “Não houve em absoluto nenhuma diretriz do partido…
o comitê de Petrogrado havia sido detido e o representante do
Comitê Central, camarada Shliapnikov, era incapaz de dar
iniciativa alguma para o dia seguinte”. O que, por acaso, foi um
fato afortunado: antes da detenção do comitê de Petrogrado, a
avaliação que este fazia da situação e de seu papel nela era tão
deplorável, que, ao seguir os trabalhadores suas orientações, é
duvidoso que a revolução se tivesse produzido quando o fez.
França 1968
Poderíamos apresentar histórias idênticas nas revoluções que
precederam a de 1917 e nas que seguiram. Citaremos somente a
mais recente: a rebelião estudantil e a greve geral na França durante
maio/junho de 1968. Existe uma clara tendência de se esquecer que
cerca de uma dezena de partidos de tipo bolchevique, “altamente
centralizados”, existia em Paris neste momento. Raras vezes se
menciona que cada um destes grupos de “vanguarda” depreciava a
rebelião estudantil de 7 de maio, quando as lutas na rua se iniciaram
realmente. Os trotskistas da JCR foram uma notável exceção, se bem
que se limitaram a se deixar levar pelos acontecimentos, seguindo no
substancial as diretrizes do Movimento 22 de Março. Até 7 de maio,
todos os grupos maoístas criticaram a revolta estudantil como algo
periférico e sem importância. Os trotskistas da FER o consideraram
como “aventureiro” e trataram de abandonar as barricadas aos
estudantes em 10 de maio; o partido comunista, por suposto, teve um
papel de completa traição. Encontrava-se cativado pelo movimento
popular, apesar de estar muito longe de dirigir-lhe. É sarcástico que a
maioria destes grupos bolcheviques se deu a tarefa de manobrar,
sem pudor algum, nas assembléias estudantis de Sorbona, em um
esforço por controlá-las, e introduziram nelas elementos de discórdia
que acabaram por desmoralizar todo o conjunto. Depois, para
completar o sarcasmo, todos estes grupos bolcheviques se puseram
a tagarelar sobre a necessidade de uma “direção centralizada”,
quando o movimento entrou em colapso – um movimento que se
produziu muito apesar de suas diretrizes e, em ocasiões, em
oposição a elas.
As revoluções e rebeliões de alguma importância, não apenas
revelam uma fase esplendidamente anárquica como tendem também,
espontaneamente, a criar suas próprias formas de auto-governo
revolucionário. As seções parisienses de 1793-94 foram as mais
notáveis formas de auto-governo criadas por qualquer revolução
social na história. Uma forma mais conhecida: os conselhos, ou
“soviets” estabelecidos pelos trabalhadores de Petrogrado em 1905.
Apesar de menos democráticos que as seções, o conselho estava
destinado a aparecer anos mais tarde em algumas revoluções.
Entretanto, outra forma de auto-governo, ou autogestão
revolucionária, foi os comitês de fábrica estabelecidos pelos
anarquistas na Revolução Espanhola de 1936. Finalmente, as seções
reapareceram nas assembléias de estudantes e nos comitês de ação,
durante a revolta e a greve geral de Paris, em maio-junho de 1968.
Chegando neste ponto devemos perguntar que papel desempenha o
“partido revolucionário” em todos estes acontecimentos. Para
começar, temos visto que tende a ter uma função inibitória, de forma
alguma de “vanguarda”. Ali onde existe ou exerce influência tende a
refrear o fluxo dos acontecimentos, e não a “coordenar” as forças
revolucionárias. Isto não é casual. O partido está estruturado de
acordo com as linhas hierárquicas que refletem a mesma
sociedade a que pretende se opor. Apesar de suas pretensões
teóricas, é um organismo burguês, um Estado em miniatura, com um
aparato e um quadro cuja função é tomar o poder, não dissolvê-lo.
Acomodado no período pré-revolucionário, assimila todas as formas
técnicas e a mentalidade da burocracia. Seus membros estão
educados na obediência, nos conceitos pré-formados de um dogma
rígido, e ensinados a reverenciar a liderança. Esta liderança ou
função dirigente de partido, por sua vez, se baseia em costumes
nascidos no comando, na autoridade, na manipulação e hegemonia.
Esta situação piora quando o partido participa de eleições
parlamentares. Devido às exigências das campanhas eleitorais, o
partido acaba por se modelar totalmente de acordo com as formas
existentes e inclusive adquire os adereços externos do partido
eleitoral. A situação se deteriora ainda mais quando o partido adquire
grandes meios de propaganda, custosos quartéis generais,
numerosos periódicos controlados rigidamente pela cúpula, e um
“Aparato” pago; em resumo, uma burocracia com interesses criados.
A Hierarquia da autoridade
A medida que o partido cresce, a distância entre a direção e os
homens da base aumenta fatalmente. Os líderes não somente se
convertem em “personagens” como perdem contato com a situação
viva nas fileiras abaixo. Os grupos locais, que conhecem sua situação
de cada momento muito melhor que qualquer líder remoto, se vêem
obrigados a subordinar sua visão direta às diretrizes de cima.
Os dirigentes, que carecem de todo conhecimento direto dos
problemas locais, respondem rotineira e cautelosamente. Reclama-se
maior amplitude de visão e justifica-se maior “competência teórica”
própria, a competência do líder tende a diminuir quanto mais ascende
na hierarquia de autoridade. Quanto mais nos aproximamos do nível
onde se tomam as decisões “reais”, melhor observamos o caráter
conservador do processo que elabora as decisões, quanto mais
burocráticos e distantes são os fatores que entram em jogo tanto mais
as considerações de prestigio e o entrincheiramento substituem a
criação, a imaginação e a dedicação desinteressada aos objetivos
revolucionários.
O resultado é que o partido se faz menos eficiente de um ponto de
vista revolucionário, quanto mais busca a eficiência na hierarquia, nos
quadros, e na centralização. Mesmo que todos sigam o passo, as
ordens costumam ser em geral equivocadas, sobretudo quando os
acontecimentos começam a fluir rápido e a tomar rumos inesperados,
o que acontece em todas as revoluções. O partido só é eficiente em
um sentido: no de moldar a sociedade de acordo com sua própria
imagem hierárquica se a revolução tem êxito. Cria a burocracia, a
centralização e o Estado. Incita as condições sociais que
justificam este tipo de sociedade. Daí que, ao invés de
desaparecer progressivamente, o Estado controlado pelo
“partido glorioso”, preserva as condições essenciais de que
“necessita” a existência de um Estado, e de um partido para
“guardá-lo”.
Por outro lado, este tipo de partido é extremamente vulnerável em
tempos de repressão. A burguesia não tem senão que lançar mão
contra a direção para destruir todo o movimento. Com os líderes na
prisão ou desaparecidos, o partido fica paralisado. Os obedientes
aderidos não têm a quem obedecer e tendem a se dispersar. A
desmoralização sobrevém rapidamente. O partido se decompõe, não
apenas por sua atmosfera, como também pela escassez de recursos
internos.
As afirmações anteriores não são meras hipóteses ou juízos, mas o
resumo histórico de todos os partidos marxistas de massa do século
passado – os social-democratas, os comunistas, e o partido trotskista
de Ceilán, o único partido de massas em seu gênero. Reivindicar que
estes partidos deixaram de interpretar seriamente os princípios
marxistas não basta para impedir outra pergunta: Por que este fato se
deu pela primeira vez? O caso é que estes partidos degeneraram
porque estavam estruturados segundo os modelos burgueses.
Levavam o germe da degeneração implícito desde seu nascimento.
O partido bolchevique escapou a esta sorte entre 1904 e 1917 por
uma razão: foi uma organização ilegal durante a maior parte dos anos
que conduziram à revolução. O partido se via continuamente
destruído e reconstruído, de forma que, enquanto não tomou o poder,
não pode se cristalizar em uma máquina plenamente centralista,
burocrática e hierárquica. Por outro lado, se encontrava minado pelas
facções. Esta intensa atmosfera de facção persistiu ao longo de 1917,
até a guerra civil, apesar da direção do partido ser extremamente
conservadora, um traço que Lênin teve de combater naquele ano,
primeiro para voltar a orientar o Comitê Central contra o governo
Provisório (o famoso conflito sobre a tese de Abril), e logo para
empurrar aquele organismo à insurreição em outubro.
Em ambos os casos teve de ameaçar com demissão do Comitê
Central e levar seus pontos de vista “aos níveis mais baixos do
partido”.
Disputas entre as facções
Em 1918 as disputas entre facções adquiriram tal gravidade acerca
do tratado de Brest-Litovsk, que o partido bolchevique esteve a ponto
de cindir em dois partidos comunistas irreconciliáveis. Os grupos da
Oposição Bolchevique, assim como os democratas Centralistas e a
Oposição Operária, travaram duras lutas dentro do partido
bolchevique ao longo de 1919 e 20, sem falar dos movimentos de
oposição que se desenvolveram no Exército Vermelho devido à
tendência de Trotsky pela centralização. A completa centralização do
Partido Bolchevique – a realização da “unidade leninista”, como
seria denominada mais tarde – não se efetuou até 1921, quando
Lênin conseguiu persuadir no décimo congresso do partido da
necessidade de expulsar as facções. A esta altura, a maioria dos
guardas brancos havia sido esmagada e os intervencionistas haviam
retirado suas tropas da Rússia.
Não nos cansaremos de sublinhar que os bolcheviques tenderam a
centralizar de tal modo seu partido, que cada vez mais ficaram
isolados da classe operária. Esta relação raramente foi investigada
nos círculos bolcheviques dos últimos dias de Lênin, e este foi
suficientemente honesto para reconhecê-la. A Revolução Russa não
se limita à história do partido bolchevique e seus seguidores. Sob a
marca dos acontecimentos oficiais descritos pelos historiadores
soviéticos, há outros mais essenciais, como o movimento espontâneo
dos trabalhadores e camponeses revolucionários que posteriormente
se enfrentariam com violência a burocracia policialesca dos
bolcheviques. Ao cair o czarismo, em fevereiro de 1917, os
trabalhadores estabeleceram espontaneamente comitês em quase
todas as fábricas da Rússia e manifestaram um crescente interesse
em intervir na direção das empresas; em junho de 1917, na
conferência dos comitês de fábrica de toda a Rússia, celebrada em
Petrogrado, os trabalhadores pediram “a organização de um
estreito controle de trabalho sobre a produção e a distribuição”.
As conclusões desta conferência raras vezes são mencionadas nos
informes leninistas sobre a Revolução Russa, apesar de a própria
conferência ter se alinhado com os bolcheviques. Trotsky, que
descreve os comitês de fábrica como “a mais direta e genuína
representação do proletariado de todo o país”, toca apenas
superficialmente no tema nos três volumes de sua história da
revolução. Entretanto estes organismos espontâneos de auto-governo
eram tão importantes que Lênin, desconfiando conseguir o controle
sobre os conselhos naquele verão de 1917, estava disposto a
abandonar o lema “todo o poder para os soviets” para o de “todo
o poder para os comitês de fábrica”. Esta posição teria empurrado
os bolcheviques a uma atitude totalmente anarco-sindicalista, anda
que seja duvidoso que pudessem permanecer com ela muito tempo.
Fim do controle operário
Ao ocorrer a revolução de outubro, os comitês de fábrica se
apoderaram dos centros de trabalho, expulsando deles a burguesia e
estabelecendo um controle completo sobre o trabalho. Ao aceitar o
controle operário, o famoso decreto de Lênin de 14 de novembro não
fazia outra coisa que reconhecer um fato consumado; os
bolcheviques não se atreviam a se opor aos trabalhadores tão cedo,
mas começaram a solapar o poder dos comitês de fábrica. Em janeiro
de 1918, a dois escassos meses de “decretar” o controle operário,
os bolcheviques transferiram a administração das fábricas à
burocracia dos sindicatos. A história de que os bolcheviques
experimentaram pacientemente o controle operário até que este
demonstrou seu caráter ineficaz e caótico, é um mito. A “paciência”
dos bolcheviques só durou umas semanas. Não se limitaram a fim ao
controle direto dos trabalhadores algumas semanas depois do
decreto de novembro, como puseram fim também, sem demora, ao
controle sindical. Até a primavera de 1918, praticamente toda a
indústria russa se encontrava colocada sob formas burguesas de
administração. Lênin afirmou sumariamente que “a revolução exige,
precisamente no interesse do socialismo, que as massas devem
obedecer cegamente a única vontade dos dirigentes do processo
de trabalho”. O controle operário foi denunciado não só como
“caótico” e “impraticável”, mas também como “pequenoburguês”.
Osinsky, da Esquerda Comunista, denunciou amargamente todas
estas falsas declarações e advertiu o partido: “O socialismo e a
organização socialista deve ser estabelecida pelo próprio
proletário, ou não se estabelecerá de modo algum: em seu lugar
se instalará outra coisa: o capitalismo de Estado”. Em nome dos
“interesses do socialismo” o partido Bolchevique afastou o
proletariado de tudo aquilo que havia conquistado com seu esforço e
iniciativa. O partido não coordenou a revolução e nem a dirigiu:
simplesmente, a dominou. Primeiro o controle sindical, foram
substituídos por uma complexa hierarquia tão monstruosa como
qualquer outra dos tempos pré-revolucionários. Como demonstrariam
os anos seguintes, a profecia de Osinsky se converteria em amarga
realidade.
O problema de quem prevaleceria – o partido bolchevique ou as
massas russas – não se limitava de modo algum às fábricas. O
desenlace se deu tanto nas comarcas rurais como nas cidades. Uma
guerra camponesa espontânea havia encontrado respaldo no
movimento dos trabalhadores. Contrariamente ao afirmado pelos
informes leninistas oficiais, a rebelião agrária não limitou seus fins a
redistribuição da terra em lotes privados. Na Ucrânia, os camponeses
influenciados pelas milícias anarquistas de Nestor Makhno,
estabeleceram uma multidão de comunas rurais sob o lema
comunista de: “De cada um segundo suas forças; a cada um
segundo suas necessidades”. Em outros lugares, no norte e na
Ásia Soviética, alguns milhares destes organismos foram
estabelecidos em parte sob a iniciativa dos socialistas
revolucionários, e em grande medida como conseqüência do
tradicional impulso coletivista que emergia da comuna rural.
Importa pouco se estas comunas eram ou não numerosas, ou se
incluíam grande número de camponeses. O transcendental é que se
tratava de autênticos organismos populares, o núcleo de uma moral e
um espírito social muito superiores aos desumanizantes valores da
sociedade burguesa.
Os bolcheviques acolheram com reservas desde o primeiro
momento a estes organismos, e inclusive em ocasiões os
condenaram. Para Lênin, o preferido, a forma mais “socialista” de
empresa agrícola era a representada pela granja estatal: de modo
literal, uma fábrica agrícola em que o Estado possuía a terra, os
equipamentos de trabalho, e designava gerentes que arrendavam
camponeses por um salário base. Aparecem nestas atitudes com o
controle operário e as comunas agrícolas o espírito e a mentalidade
essencialmente burguesas que penetravam no partido bolchevique,
espírito e mentalidade que transcendiam não apenas de suas teorias,
como de seus métodos característicos organizacionais. Em
dezembro de 1918, Lênin lançou um ataque contra as comunas sob o
pretexto de que os camponeses eram “forçados” a entrar nelas. Na
verdade, pouca ou nenhuma coerção foi utilizada para organizar
aquelas formas comunistas de auto-governo. Assim, Robert G.
Wesson, que estudou detalhadamente as comunas soviéticas,
conclui: “aqueles que entraram nas comunas o fizeram em sua
grande maioria por vontade própria”. As comunas não foram
suprimidas, mas se limitou seu desenvolvimento, até que Stalin as
integrou na coletivização forçosa de finais dos anos vinte e princípios
dos trinta.
Em 1920 os bolcheviques haviam se isolado eles próprios da classe
operária e camponesa russa. A eliminação do controle operário, a
supressão da Makhnovitchina, a repressiva atmosfera do país, a
inflada burocracia, a esmagadora pobreza material herdada dos anos
de guerra civil, tudo isso tomado em seu conjunto, originou uma
profunda hostilidade para com o governo bolchevique. Com o fim das
hostilidades um novo movimento surgiu das profundezas da
sociedade russa reclamando uma “terceira revolução”, não uma
restauração do passado, mas o apressado desejo de levar a cabo os
objetivos da liberdade, tanto econômica como política, que havia
reunido as massas ao redor do programa bolchevique de 1917. O
novo movimento encontrou sua forma mais consciente no proletariado
de Petrogrado e nos marinheiros de Kronstadt. Também conseguiu
expressão no partido: o desenvolvimento de tendências anticentralistas e anarco-sindicalistas entre os bolcheviques até o ponto
de que um bloco de grupos de oposição, orientados ao ponto neste
sentido, alcançou 124 votos em uma conferência provincial de
Moscou, contra 154 partidários do Comitê Central.
A Rebelião de Kronstadt
Em 2 de março de 1921, os “marinheiros vermelhos” de
Kronstadt se sublevaram em rebelião aberta, levantando a bandeira
da “Terceira Revolução dos Trabalhadores”. O programa de
Kronstadt reclamava eleições livres para os soviets, liberdade de
expressão, liberdade para os anarquistas e os partidos socialistas de
Esquerda, sindicatos livres, e libertação de todos os presos
pertencentes aos partidos socialistas.
As histórias mais vergonhosas foram fabricadas pelos bolcheviques
para explicar esta rebelião, as quais seriam reconhecidas nos anos
posteriores como mentiras infames. A rebelião foi qualificada como
uma “conspiração de guardas brancos”, apesar de a maioria dos
membros do partido comunista de Kronstadt ter se unido aos
marinheiros – precisamente como comunistas – denunciando os
dirigentes do partido como traidores da revolução de outubro. Como
afirma Robert Vincent Daniels em seu estudo sobre os movimentos
bolcheviques de oposição: “os comunistas da época eram na
verdade tão pouco confiáveis… que o governo não tinha
confiança neles”.
O principal corpo de tropas empregado foram os chequistas
e os oficiais cadetes das escolas militares do Exército Vermelho. A
investida final de Kronstadt foi dirigida pelo Estado Maior do Partido
Comunista. Um amplo grupo dos delegados assistentes do décimo
Congresso do Partido foi enviado precipitadamente de Moscou com
este fim. Tão fraco era o regime internamente que a elite teve de
fazer este trabalho repugnante.
Ainda mais significativo que a rebelião de Kronstadt foi o movimento
grevista que se desenvolveu entre os trabalhadores de Petrogrado,
um movimento que desencadeou o levante dos marinheiros. As
histórias leninistas não contam este crítico e importante
acontecimento. As primeiras greves estouraram na fábrica de

Troubotchine em 23 de fevereiro de 1921. Em poucos dias o
movimento se propagou de uma fábrica a outra, até que no dia 2 de
fevereiro foram à greve os famosos oficinas de Putilov, “o crisol da
revolução”. Os trabalhadores expressaram não só reivindicações
econômicas, como também claras exigências políticas, adiantando-se
às que reclamariam poucos dias depois os marinheiros de Kronstadt.
Em 24 de fevereiro os bolcheviques declararam o “estado de sítio”
em Petrogrado e detiveram os líderes operários, reprimindo as
manifestações destes com os oficiais cadetes. O fato é que os
bolcheviques fizeram algo mais que reprimir um “motim de
marinheiros”: esmagaram com a força armada a própria classe
trabalhadora. É neste momento que Lênin reclamou a extirpação das
facções no Partido Comunista russo. A centralização do partido foi
agora completada, e o caminho estava preparado para Stalin.
Temos discutido estes acontecimentos porque conduzem à
conclusão que nossas últimas fornadas de marxistas-leninistas
querem iludir: o Partido Bolchevique alcançou seu grau máximo de
centralização nos dias de Lênin, não para levar a cabo uma
revolução ou para suprimir o movimento contra-revolucionário
da Guarda Branca, mas para levar a cabo uma contra-revolução
própria contra as mesmas forças que pretendiam representar. As
facções foram proibidas e se criou um partido monolítico, não para
evitar uma “restauração capitalista”, mas para conter o movimento
das massas operárias em direção a democracia soviética e a
liberdade social. O Lênin de 1921 se opôs ao Lênin de outubro de
1917.
Daqui por diante Lênin flutuou. Este homem, que mais que nenhum
outro, tratou de basear os problemas de seu partido nas contradições
sociais, encontrou a si próprio tentando na última hora parar a
burocratização criada por ele mesmo. Não há nada mais patético e
trágico que o Lênin dos últimos anos. Paralisado por um corpo
simplista de fórmulas marxistas, não lhe ocorreram melhores
contramedidas que as de tipo organizacional. Propõe a Inspeção de
Operários e Camponeses para corrigir as deformações burocráticas
no partido e no Estado, e aquela inspeção caiu nas mãos de Stalin,
que, com pleno direito, a levou a seu maior esplendor burocrático.
Lênin sugeriu depois a redução da Inspeção de Operários e
Camponeses e sua absorção na Comissão de Controle. Defendeu do
mesmo modo a ampliação do Comitê Central. Estas são as soluções:
ampliar este organismo, absorver este naquele, este terceiro
organismo se modifica ou se substitui por outro. Este extraordinário
ballet de formas organizacionais continua crescendo até sua morte,
como se o problema pudesse ser resolvido por meios
organizacionais. Como afirma Mosche Lewin, um admirador de Lênin:
O líder bolchevique “tratava os problemas de governo como um
executivo de mente rigidamente ‘leninista’. Não aplicava
métodos de análise social ao governo e se contentava em
entendê-lo simplesmente em termos de métodos organizacionais
ou técnicos”.
Os meios substituem os fins
Se é certo que nas revoluções burguesas “a fraseologia modifica
o conteúdo”, na revolução bolchevique as formas substituem o
conteúdo. Os soviets substituíram os trabalhadores e seus comitês de
fábrica, o Partido substituiu os soviets, o comitê central substituiu o
Partido e o Birô Político o Comitê Central. Em resumo, os meios
substituíram os fins. Esta incrível substituição do conteúdo pelas
formas é um dos traços mais característicos do marxismo-leninismo.
Na França, durante os acontecimentos de maio-junho de 1968, todas
as organizações bolcheviques se prepararam para destruir a
assembléia estudantil de Sorbona, para aumentar sua influência e
recrutar adeptos. Sua principal preocupação não se referia a
revolução ou as autênticas formas sociais criadas pelos estudantes,
mas ao crescimento de seus próprios partidos. Nos Estados Unidos
ocorreu algo assim e uma situação semelhante se dá entre os grupos
estudantis.
Somente uma força poderia se opor ao crescimento da burocracia
na Rússia: uma força social. Se o proletariado e o campesinato
russos tivessem conseguido desenvolver o campo na autogestão
através de comitês de fábrica, comunas rurais e soviets livres, a
história do país poderia ter dado uma reviravolta radical. Não há
dúvida de que o fracasso da revolução socialista na Europa depois da
Primeira Guerra Mundial levou a um isolamento da revolução na
Rússia. A pobreza material da Rússia, junto com a pressão do mundo
capitalista circundante ia claramente contra o desenvolvimento de
uma sólida sociedade libertária, realmente socialista. Mas de modo
algum era necessário que a Rússia tivesse que se desenvolver de
acordo com as linhas do capitalismo estatal. Contrariando as
previsões de Trotsky e Lênin, a revolução foi destruída por forças
internas, não pela invasão dos exércitos estrangeiros. Se o
Movimento, surgindo de baixo, tivesse continuado na linha dos
primitivos objetivos da revolução, em 1917, uma estrutura social de
diversas faces poderia ter se desenvolvido sobre a base do controle
operário da indústria, e uma livre economia inspirada pelos
camponeses, e no contraste vivo de idéias, programas e grupos
políticos. Enfim, a Rússia não se teria visto aprisionada entre as
correntes do totalitarismo, e Stalin não teria envenenado o movimento
revolucionário, preparando o caminho para o fascismo e a Segunda
Guerra Mundial.
O desenvolvimento do partido bolchevique fazia presumir estas
conseqüências, deixando de lado as intenções de Lênin e Trotsky. Ao
destruir o poder dos comitês de fábrica na indústria, ao esmagar o
movimento makhnovista, aos operários de Petrogrado, aos
marinheiros de Kronstadt, os bolcheviques garantiam praticamente o
triunfo da burocracia russa sobre a sociedade russa. O partido
centralizado – uma instituição completamente burguesa – se
converteu no refúgio da contra-revolução em suas formas mais
sinistras. Ou seja, a contra-revolução disfarçada, implícita na própria
bandeira e na terminologia de Marx. Finalmente, o que os
bolcheviques suprimiram em 1921 não era uma “ideologia” ou uma
“conspiração das guardas brancas”, mas uma luta elementar do
povo russo para libertar-se de suas correntes e assumir o controle
sobre seu destino. Para a Rússia isto significou o pesadelo da
ditadura de Stalin: para a geração dos anos trinta significa o horror do
fascismo e a traição dos partidos comunistas na Europa e nos
Estados Unidos.

Espertirina Vai Falar – Revolução Russa e Kronstadt

Olá seus anarquistazinhos, aqui quem fala é cangaceiro solar, companheiro da espertirina, sou eu que vai assumir delegação pra se comunicar com vocês.

Começa agora mais um espertirina vai falar, para tratar de assuntos libertários.

Nesse ano de 2017, que comemoramos os 100 anos de revolução russa, mas nós anarquista que tipo de tradição reconhecemos na revolução russa, resgataremos importântes experiências para nosso espectro político, nesse amplo período de efervecência política. Logicamente falo daquelas que não se remete a história contada pelos vencedores, a história da tradição bolchevique. Aquela que viu

a estatização dos sindicatos, a burocratização e cooptação dos soviéts, a militarização das fábricas e outras estratégias autoritárias impostas pelos bolcheviques.

Nesse período uma tática do partido comunista, foi o genocídio político e a perseguição e matança de opositores. Somada a fome e a miséria de milhões de seres humanos, devido à requisição obrigatória e violenta de grãos e produtos agrícolas, como também o alistamento obrigatório de oprimidos para o exército vermelho. Lembrando que todos esses elementos já são de um período que se dava entre 1918 e 1921, com Lênin e Trótsky na chefia, muito antes do aclamado Stálin.

O periodo de Kronstadt, se alocando portanto logo depois do golpe de estado bolchevique em outubro de 1917. Só assim com a analise critica autocritica da historia é que podemoes transformar a história em caminho ppara a nossa prática, Só assim é que podemos também delinear duas estratégias que ocorreram nesse período. Os makhnovistas e anarquistas em geral, diferente dos bolcheviques, lutavam pelas comunas federadas e soviéts descentralizados e livres, com administrações locais. Os anarquistas não queriam dirigir a revolução, mas acompanhá-la ombro a ombro. Enquanto os marxistas falavam de revolução política, os anarquistas falam de uma revolução social. Não querem que se substitua um governo por outro, e sim eliminar

da face da terra todo o princípio de autoridade.

Há uma lógica que levou ao golpe de estado de outubro. Em lições de outubro de Leon Trotsy. A lição principal para os marxistas é que a agitação levada ao extremo só levaria ao caos. A lógica que se forma então é uma lógica autointitulada de vanguarda. A vanguarda, ou seja, partido, a minoria iluminada que iria fazer a revolução em favor da maioria desprivilegiada, deveria aproveitando a agitação conquistar o estado, ou seja, a conquista da superestrutura como nos dize marx, a partir dai, de cima pra baixo, ira ser feito uma transição, a partir de uma ditadura do proletariado, um estado dito do povo. Essa transição levaria naturalmente pelo definhamento desse estado ao comunismo. Porém o que se viu na historia foi o surgimento de uma nova classe dominante, de um novo governo, de portanto de uma nova dominação. Os anarquistas tinham outro projeto, eles foram julgados por um estado que se colocava a frente, dizendo proteger a revolução, pois os pobres ingnorantes do povo não poderiam fazer-la sozinhos. Para esses senhores os fins, justificam quaisquer meios, fins libertarios, justificariam meios autoritarios. Para os anarquistas os meios deveriam ter coerencia com os fins, pois por meios verticalizados e hierarquizados não alcançaremos a liberdade e igualdade tão sonhada. Assim como meios machistas não acabarão com o machismo, meios homofobicos não acabarão com a homofobia e meios racistas não acabarão com o racismo.

O julgamento, pode ser confirmado no célebre telegrama de Lênin a Trótski:

“Vigiar ativamente todos os anarquistas. Preparar documentos, se possível de caráter criminal para poder submetê-los a acusação. Manter secreto ordem e documentos. Distribuir instruções necessárias. Assinado Lenin.”

Um desses genocídos ficou famoso meses depois, quando a imprensa não conseguiu censurar o que houve. Foi o chamado levante de Kronstadt.

Kronstadt era uma fortaleza militar construída no século XVIII, e está localizada na ilha Kotlin, ao norte da Rússia, sobre o mar Báltico, muito próxima da Finlândia. No momento analisado, esta cidade portuária tinha 50.000 habitantes.

Sua importância como cidade está no fato de que, tanto na época czarista quanto com os bolcheviques, Kronstadt será a base principal da frota russa. Os marinheiros, ao viajar, conheciam outros regimes e traziam muitas idéias de outras partes da Europa.

O caráter revolucionário desta cidade era histórico. Havia sido uma das primeiras localidades a aderir à revolução de 1905. Ocorreu algo parecido em 1910, e em 1917 Kronstadt se converteu na “glória da revolução”, segundo Trótsky.

Em vésperas da revolução de outubro, 16.000 marinheiros de Kronstadt entram nesta cidade com bandeiras rubro e negras.

Porém, até 1921, seus habitantes, sempre defensores da revolução, começam a sentir os abusos das tropas bolcheviques. A cidade não tem autonomia, seu sóviet local começa a ser boicotado permanentemente por membros bolcheviques para acatar ordens de

Moscou. O descontentamento aumenta e durante todo fevereiro e março se produz a insurreição. Quem a encabeça são os marinheiros de Kronstadt. Exigem soviets livres, participação popular de seus habitantes, e não de dirigentes bolcheviques da capital, e, além disso, se somam as enormes greves que então sacodem Petrogrado.

Cansados de inspeções, abusos de todo o tipo e de ordens de oficiais vermelhos ex-czaristas, aliados dos bolcheviques. O que foi um dia “a glória da revolução” se converte para Trótsky na “canalha contra-revolucionária”. E o lema inicial de Lênin “todo poder ao soviéts” não tem mais coerência, quando um dos soviets se rebela ao seu poder.

Ele declara o estado de sítio e, em 7 de março, às 18:45, a 96 anos atrás, enviando

tropas de mercenários chineses e baxireses para reprimir.

Os dados contam 7.000 crianças e mulheres assassinados pelos bolcheviques. A maior quantidade de mortos se dá em 16 de março, e dois dias depois cai Kronstadt. Haviam morrido 14.000 marinheiros sublevados. De uma cidade de 50.000 habitantes, os bolcheviques assassinaram 21.000, sem contar os sobreviventes aprisionados, que foram enviados a um campo de concentração no deserto do Turquemenistão.

Apenas alguns poucos marinheiros conseguiram escapar até a Finlândia, e outros,

como Alexander Berkman e Emma Goldman, serão expulsos para os Estados Unidos.

Para o choro de quem nos acusam de sermos idealistas, em Kronstadt se praticou o anarquismo.

Os rebeldes desta cidade se opuseram ao que eles chamaram de “comissáriocracia”, criaram o Comitê Revolucionário Provisório exigindo eleições livres, ao não se sentirem representados pelos enviados bolcheviques, encarcerando por sua vez o general bolchevique Kuzmin e enfrentando os bombardeios aéreos. Os marinheiros e operários da cidade criaram uma comuna livre que durou 16 dias e que tentou ensinar para a história, mais uma vez, que a revolução não é compatível com o Estado. Porque quando triunfa o novo Estado, a revolução vai morrendo.

Sabemos que quem governa não trabalha, e quem trabalha não governa. O socialismo não pode existir se os próprios espaços de poder não estão socializados, se todo o poder é um monopólio do Estado centralizado, de um partido, de uma vanguarda ou de um líder, assim como sintetizou muito bem esse pensamento Juan Manuel Ferrário, quando disse: “Se o poder não está socializado, o socialismo é uma mentira.”

Viva aos os marinheiros dos navios Sevastopol e Petropavlovsk

Viva ao soviét de Kronstadt.

É isso. Muita tesão e autogestão. Se inscreve e compartilha pra dá aquele salve.

Até logo.

Espertirina Sound System – Lampião da Favela

Como dizia lampião

aquele lá do bom jardim

os rico é que são

irmãos das políça

que é prima carnal do estado

e de uma cega chamada justiça.

Tá tudo incumunado

no jogo de quem ta vencendo

em cima do povo ensanguentado

Político, banqueiro e televisão

selaram o pacto com deus e o estado

pra sacralizar sua dominação.

xxx

O cangaceiro da favela acorda cedo

com seu olho inflamado

todo dia sente que é seu dia

que sua hora vai ter chegado

por ser pobre e preto

favelado, com a polícia sempre do lado

pra que isso? Rico não rouba?

Rouba, mas protegido pela lei, ele rouba calado.

O salário é um roubo doidão

só sobrevivencia pra trabalhar pros zoto

Me diz aí o que cê compra com essa porra?

Eles lhe querem meio-morto

Um dia acabo então com essa zorra

vou ser enterrado como um soldado

pela revolução darei minha vida

escreverei pra morte um recado.

Senhora morte, não me julgue precipitado

Não aguentei ver meu povo sofrendo

conheci a verdadeira história, tudo muito bem pensado

Envio minha humilde alma anarquista

Pra a senhora acabar com esse capitalismo safado.

E desde já

meu muito obrigado.

O cangaceiro da favela acorda cedo

com seu olho inflamado

todo dia sente que é seu dia

que sua hora vai ter chegado

por ser pobre e preto

favelado, com a polícia sempre ao lado

polícia sai do pé, polícia sai do pé

Antes que eu me esqueça

me taxarão de subversivo

E mesmo se forem a feira exibir minha cabeça

a resistência continua

Quando a ideologia vem de baixo cumpadre

não podem matá-la.

O poder popular é o cangaço do gueto!

Cangaceiro Solar

Espertirina Vai Falar! – Códigos Policiais

Olar meus queridos e queridas anarcos de todo esse brasel. Está começando mais um espertirina vai falar! E hoje saberemos mais sobre Códigos Policiais. Ter conhecimento sobre esse assunto não é só prática de auto-defesa, é também estratégia contra a truculência e a arbitrariedade desse aparelho de repressão que é a polícia e o exército. Sabemos que estas instituições tem um papel importante na manutenção da dominação da classe opressora e no bem-bom dos ricos, pois é sua tarefa usar do monopólio da violência do estado, uma violência legitimada para apagar qualquer chama de revolta, diciplinar qualquer atividade subversiva e assim fazer, o que o capitão do mato fazia com os escravos.
Nessa primeira parte focaremos em um código de rádio e estudaremos os códigos gestuais. Em uma segunda parte veremos um código operacional e as principais gírias.
Vamo lá. Você com certeza já deve ter ouvido um desses códigos sendo falado em algum rádio por um guardinha ou um puliça. E provavelmente ficou sem entender nada num é?
Rá, agora é sua chance de ficar um passo a frente dos gambé.
O código mais usado nas vias radiofónicas, trata-se do Código Q, ou Código Quebec. Ele foi criado em 1909 pelos britânicos e como facilitou a comunicação entre diferentes línguas foi rapidamente adotado internacionalmente pelas forças armadas. É um conjunto de três letras que sempre começam com a letra Q. Num total de 45 códigos. É utilizado como uma forma de comunicação padronizada que serve para confundir e dificultar a interpretação de pessoas mal-intencionadas, vulgo baderneiros, que estejam ouvindo o contato entre os seus usuários pelo rádio.
Veremos os mais comuns, e fique atento, porque no final perguntarei um deles pra você.
QuêAhPê. Significa, na escuta. E se ouvir isso significa que a pessoa do outro lado está na escuta.
QRA. Significa o nome ou pessoa. Geralmente refere-se ao nome do operador.
QRF. Significa refeição.
QRG. Significa freqüência ou o canal de transmissão.
QRJ. É uma pergunta como. Quantas chamadas radiotelefônicas você tem para despachar?
QRL. Significa que a pessoa está ocupada.
QRM. Significa que há alguma interferência.
QRT. Significa que a pessoa vai parar de transmitir.
QRV. Significa que a pessoa está à disposição. Ou perguntando pela disposição.
QRX. Significa um, aguarde um instante que chamarei.
QSJ. Significa algo relativo a dinheiro.
QSL. Significa entendido, Ou OK.
QSM. Significa repita.
QTH. Significa o local ou endereço.
QTU. Significa o turno e equipe de trabalho.
QTR. Significa as horas.
E TKS. Significa obrigado ou obrigada.
Pegou? Um pouco dificil né? Acredito que os puliça nem tem capacidade mental pra decorar tudo. Brincadeirinha.
Agora irei fazer a pergunta. Prepare-se. Será o que você não pode deixar de aprender.
O quê significa QSL?
Tempo………………………………………………………………………………
Não. Não significa, que seqüela louca, seu maconhista. Significa entendido. Ou OK.
Próxima lição. Já teve a oportunidade de ver um grupo tático em operação? Sorte sua, não é mesmo? Porém nessas operações, quando não há o uso do rádio, seja por deficiencia estrutural ou pela circunstância de silencio em infiltrações e tocaias, é comum o uso de gestos.
Aprenderemos alguns dos mais usados.
Primeiramente os numeros em gestos, que são relativamente fáceis. Com atenção para o numero 3, que é feito com o dedão. E a partir do 6 assume uma lógica de trás para frente de dedos segurados com o dedão. Mindinho segurado, seis. Anelar segurado, sete. E assim vai.
Outros gestos usados são comuns como o eu e o você. Como também simples, tipo, venha, ouça e veja.
Alguns são para descrever coisas vivas. Avisar de um inimigo, de um refém, de um snáiper ou de um cachorro.
Esses já são para armas e coisas não-vivas. Como uma pistola, rifle, espingarda, munição e veiculo. Como também, porta, janela e entrada.
Por fim há gestos que são comandos. Comando pra apressar, para parar, para esperar. Comandos de entendido, não entendido, agachar-se, de perigo e de uso de gás.
Pegou? Me sinto no contra straike, ou em qualquer outro jogo de tiro.
Mas, pois bem, que tal a mais um exercicio de fixação?
O que significa esse gesto?
Tempo……………………………………………………………………………………
Não. Não tenha uma mente suja. Significa espingarda pela forma de recarga dessa arma.
Enfim. Para finalizar, quero destacar que tudo isso falado aqui hoje é fruto da organização do estado. E se caso quizermos fazer frente a essa máquina de injustiça social, temos nós que nos organizar também e criarmos os nossos próprios códigos.
Até o próximo video.
Muita tesão e autogestão.

Segunda parte

Olár meus queridos e minhas queridas anarcos de todo o brasil. Esse é mais um espertirina vai falar, e hoje teremos a segunda e última parte sobre códigos policiais. Se liga que continuando nosso assunto, vamos tratar de gírias ou jargões dos puliça e conheceremos outro código muito usado, o código S.
Esse código já não é restrito para rádios e até mesmo se encontra na linguagem do dia-a-dia dessa galera. Não consegui encontrar a história por trás do código S, e realmente há pouquissíma, informação sobre ele. Então se alguém souber como ele foi criado, deixa aí um comentário pra sua amiga espert.
Já começando nosso estudo, vamos vendo alguns dos códigos mais falados e que dessa vez seguem um padrão, onde sempre começam obviamente com a letra S.
S 13 que significa ocorrência.
S 15 que significa fazer um deslocamento de unidades.
S 21 que quer dizer socorro e urgência.
S 25 que quer dizer “Fique em alerta”.
S 35 que significa Rendição.
S 37 que significa Defeito da viatura.
S 41 que quer dizer “Estou Ocupado”.
S 45 que quer dizer “Missão cumprida”.
S 53 que significa Residência.
S 55 que significa Hora.
S 57 que significa Dinheiro.
S 63 que quer dizer Estou a Caminho.
S 71 que quer dizer Qual a sua Distancia.
e
S 85 que quer dizer Fora de situação.
Calma, se for preciso voltar e ouvir de novo, não tem problema compa. Sinta-se a vontade, mas volte pois tenho uma pergunta para testá-lo.
Pronto? O quê ssignifica S 41? Tempo……
Isso mesmo! Significa que a pessoa está ocupada.
Até aqui vimos um código bem formal, usado em rádio transmissões, o código Q, vimos gestos formais, usados em operações táticas e um código que é mediano nesse sentido, pois também é usado na linguagem diária do policial.
Agora para fecharmos éssa mini-série, descobriremos gírias e jargões, que nada mais, nada menos, são códigos também, só que são usados de forma informal.
Além das gírias comuns como POSITIVO que quer dizer sim e NEGATIVO que quer dizer não, há outras gírias no vocábulário dos milíco. Pasmen, eles falam mais do que oinc oinc. Expressão natural de qualquer porco fardado.
Girias:
ACOCHADO: uma pessoa linha dura; valente ou também chamado de caxias.
ACORDA JOÃO: Furtar bêbado ou pessoa adormecida. bem ético isso parabéns.
ALMA: Pessoa que trabalha em atividade policial sem ser policial.
ALTAMENTE OPERACIONAL: Aquele que gosta de trabalhar na rua.
ANOTADO: Aquele que teve o nome ou numero anotado por haver cometido alguma indisciplina.
ARU: um Otário; besta; burro.
AVIÃO: Vendedor de droga.
BAIXAR: Hospitalizar, deixar viatura na oficina.
BALDE: gíria Homofóbica para “gay”.
BOCA DE FERRO: significa Xadrez ou prisão.
BREVE: É um distintivo; manicaca ou broche.
BRUCUTU: É o Carro de choque; carro de contrôle de tumulto e distúrbios civis.
CABEÇA DE BODE: nome dado ao Microfone.
CAMPANA: Investigação; vigilância; espera.
CASERNA: É o Quartel.
CHOCOLATE: tudo Legal; tudo bem; tudo em cima.
COSME E DAMIÃO: Dupla de policiais.
DEDO-MOLE: um policial matador, atirador, gatilho rápido.
DESOVA: Sumiço; jogar o defunto em local oculto.
ESTOCADA: Golpe com cassetete.
INCHADOR: Pessoa que não cumpre ordens; metido a valente; indisciplinado.
LARANJA: Indivíduo utilizado no lugar de outrem em ato ilícito.
MACACO PRETO: gíria racista paraTelefone.
MALA: Pessoa Esperta; malandra; jacaré.
MARIA BATALHÃO: Gíria machista para Mulheres que tem preferência por militares; que supostamente transam com todos do quartel.
PAU-DE-ARARA: Tortura na qual amarra-se o indivíduo pelos pés e mãos, cruzando um pau que possibilita deixar o indivíduo dependurado.
QUEIMA DE ARQUIVO: Eliminação de testemunhas ou provas que comprometam interesses de outrem.
TELEFONE: Tortura na qual se dá Tapas simultâneos nos ouvidos.
TOCO: Propina; vantagem ilícita.
Acoplamento: significa Reunião.
Ancorado: significa Parado.
Aparato: refere-sse ao Rádio.
Comer barbante: ficar Esperando.
Copiar: significa Escutar.
e treze: que quer dizer uma pessoa louca.
Novamente, peço calma! Você pode voltar e escutar mais uma vez.
Mas é isso, agora se sentindo mais preparada para enfrentar esse estado fascista e assassino, quero terminar dizendo:
Libertem Rafael Braga!
Liberdade para o povo preto!

Espertirina Vai Falar! – Quem São Nossos Inimigos ? (Brasil)

Olá seus anarquistazinhos.Vocês sabem que vivemos em um mundo capitalista,
onde para que uns poucos gozem de luxo e fama, outros milhões precisam se sujeitar
a miséria e a fadiga de trabalho.

Estes senhores, na maioria homens e todos brancos, dizem que toda a riqueza que possuem vem de seu próprio trabalho, mas esquecem que vivemos em sociedade e que todo trabalho é coletivo, que a riqueza que acumularam e o caviar que comem todos os dias, na verdade vem da exploração de seus milhares de empregados, escravos modernos que comem pão e manteiga, isso quando tem.

Estas pessoas são nossas inimigas, por causa delas vivemos em sofrimento, elas sustentam o patriarcado, a supremacia branca e o estado opressor. Vamos conhecê-las melhor, para que saibamos contra quem e o que, estamos lutando.

O Espertirina vai falar de hoje começa agora, e tratará das caras nojentas aqui do Brasil. Mas não se preocupem, logo que aprendermos essa lição, conheceremos também nossos inimigos a nível mundial.

Vamos ver a lista da forbes então, somente os 31 burgueses bilionários* do brasil. Na trigésima primeira posição, está Alfredo Egydio Arruda Villela Filho, com 1 bilhão de dólares e 46 anos de idade, herdou o banco itaú de seu bisavô. Empatados na vigésima oitava posição com 1,1 bilhão de dólares, ou seja, temos a vigésima nona e a trigésima posição inclusas, está Maria Helena Moraes Scripilliti, 85 anos, co-proprietária do grupo votorantim. Lirio Parisotto, 62 anos. Que é dono de empresas como RBS Santa Catarina,
Videolar e Celesc. E também Ermirio Pereira de Moraes, 83 anos, co-proprietário do grupo votorantim.

Na vigésima quarta posição com 1,6 bilhão de dólares, temos quatro burgueses, que são, Miguel Krigsner, filho de judeus e nascido na bolívia, é fundador da “O Boticário” cosméticos. Julio Bozano, 80 anos, co-fundador do banco de investimentos Bozano-Simonsen e que enriqueceu com as privatizações da Usiminas e Embraer nos anos 90. André Esteves, 47 anos, preso pela operação lava jato e teoricamente ex-executivo-chefe da BTG Pactual, uma empresa financeira brasileira com presença global. E no mesmo monte, Alexandre Grendene Bartelle, 66 anos, co-fundador da Grendene, a maior fabricante mundial de sandálias.

Na vigésima terceira posição temos Carlos Sanchez com 1,7 bilhão de dólares, um traficante legalizado dono da biqueira EMS, laboratório farmacêutico.

Na décima oitava posição, mais um montinho empatado de 5 burgueses capitalistas, todos com míseros 1,9 bilhão de dólares. Rosana Camargo de Arruda Botelho, 66 anos,
ligada ao conglomerado da construção, o grupo camargo corrêa. Renata de Camargo Nascimento, 65 anos, sua irmã do meio. E a caçula Regina de Camargo Pires Oliveira
Dias, 62 anos. Além das irmãs camargo, temos Edson de Godoy Bueno, 72 anos, lucrando com a saúde das pessoas, ex-dono do grupo Amil.E Aloysio de Andrade Faria criador do já
vendido banco real e fundador do banco alfa.

Na décima sétima posição com 2,1 bilhões de dólares, está Francisco Ivens de Sá Dias Branco, 81 anos, dono da Indústria e Comércio de Alimentos M Dias Branco, com séde na cidade de Eusébio, Ceará.

Seguindo na décima sexta posição, com 2,5 bilhões de dólares, o burguês do suco de laranja, José Luís Cutrale, dono da Cutrale North América e diretor da Coca-Cola FEMSA.

Na décima quinta posição e na metade de nossa listra branca, Walter Faria, 60 anos e com 2,6 bilhões de dólares, dono das cervejas itaipava e crystal.

Já na décima primeira posição temos mais um montinho, empatados com 2,8 bilhões de dólares,  o que surge como cerca de nove bilhões de reais. Começamos com o patrão Walter Salles, de 59 anos, herdeiro do grupo unibanco, gasta sua grana brincando de cineasta e diretor de filmes como o aclamado central do brasil, e pilota um Ford GT, na competição GT3 brasil. Temos a representação clássica do burguês papudo, com Pedro Moreira Salles, 56 anos, e Fernando Roberto Moreira Salles, 69 anos, presidentes do unibanco e em seguida o caçula João Moreira Salles, 54 anos, que brinca de documentarista e roteirista, produziu lavoura arcaica e edifício master.

Chegando no top dez dessa corrida de ratos, recebem nossos parabéns, esses cidadões exemplares, que venceram na vida. Afinal se você é mais um pretinho da favela
que foi morto pela polícia militar, foi porque escolheu, segundo a nossa meritocracia, você
poderia muito bem ser um deles se tivesse se esforçado. Que balela hipócrita. Jorge Moll Filho é o próximo colocado, com a fortuna em 3 bilhões de dólares, dono da maior rede independente de hospitais privados do país, a rede d’or.

Em nôno lugar, Abilio Diniz aparece com seus 3,4 bilhões de dólares, atualmente, ele é presidente do conselho da empresa de alimentos BRF, oriunda da fusão entre Sadia e Perdigão. Mas antes explorou empregados das redes Pão de Açucar, Extra, Assaí, Ponto Frio e Casas Bahia. Em dezembro de 1989, Abilio foi sequestrado pelo Movimento de Esquerda Revolucionaria do Chile e passou seis dias em cativeiro em São Paulo.

Em oitavo, sétimo e sexto lugar, aparece empatados, os irmãos marinho, cada um com 4,3 bilhões de dólares, frutos de muita manipulação midiática e historicamente vinculado a ditadura militar brasileira. Roberto Irineu Marinho, 68 anos. João Roberto Marinho,62 anos. E José Roberto Marinho, 60 anos. O caçula controla a fundação roberto marinho
e os outros dois controlam as organizações globo.

Abrimos o top cinco com o mais novo dos bilionários, apenas 33 anos e uma fortuna de 6,2 bilhões de dólares. Eduardo Saverin, filho de uma rica família judia brasileira, foi criado em miami e foi um co-fundador do Facebook.

A quarta posição é do sorrizinho de Carlos Alberto Sicupira, com 11,3 bilhões de dólares e 68 anos, parceiro do terceiro e do primeiro colocado, é sócio da companhia belga-brasileira Anheuser-Busch Inbev, a maior cervejaria do mundo. Além de estár junto com o capital internacional da 3G capital, que controla empresas como a Burguer King e Heinz. Como se não fosse o bastante, controla as lojas americanas no segmento do varejo.

Finalmente, no pódio, o terceiro lugar é de Marcel Herrmann Telles, sócio da 3G capital e da Inbev. Em 2010 comprou uma cobertura de um apartamento na cidade do Rio de Janeiro por 7 milhões. O que não é nada pra quem possue uma fortuna de 13 bilhões de dólares.

Com a medalha de prata da sujeira capitalista e o segundo lugar, temos Joseph Safra, 77 anos, libanês e outro judeu em nossa lista, é herdeiro do banco safra. Engoliu até a parte de seu próprio irmão para ostentar tamanha fartura. Uma quantia de 17,2 bilhões de dólares.

Ufa.

Chegamos ao primeiro colocado. E se até agora você tenha se espantado com
os 17 bilhões do nosso segundo colocado, queria poder ver sua reação ao saber da
fortuna de quase 28 bilhões de dólares, quantia essa que eu imagino não caber numa
casa. E que não consigo imaginar a necessidade dela. Mais que exagerado, é bizarro. Guarde bem esse nome, Jorge Paulo Lemann, 76 anos.

A figura caricata do burguês moderno. É hoje o décimo nôno mais rico do mundo. Em 1989 comprou a cervejaria Brahma, que em 1999 foi fundida com a Antartica para formar a AmBev. Em 2004, ano do casamento da Ambev com a belga Interbrew, o brasileiro Jorge Paulo Lemann apareceu pela primeira vez em uma lista de bilionários da fôrbes. Bastaram 12 anos para que sua fortuna se multiplicasse por 30 e inscrevesse o carioca entre os 20 mais abastados do mundo. Em reais, Lêmann rompeu a assombrosa marca dos 100 bilhões — cifra nunca antes exibida por um brasileiro.

Isolado, o imperador da cerveja, da 3G capital e do varejo das lojas americanas, detém sozinho 12% da soma dos patrimônios de todos os 165 brasileiros listados pela forbes. Só esses 31 que falei aqui possuem o equivalente a 15% do PIB do país. Para nós da classe oprimida, essas quantias são sequer inimagináveis. No máximo um sonho de ganhar na megasena ou no big brother.

Estas pessoas se quisessem poderiam transformar uma pessoa por mês em milionárias, mas sabem que o dinheiro é como qualquer produto no mercado, se todos possuírem não terá valor algum. Esse é o princípio mais selvagem do sistema, para existir ricos necessariamente é preciso existir pobres. E como há aquele ditado que o pobre quer
ser rico, mas o rico não quer ser pobre, depende de nós construirmos um poder popular
que promova um processo de ruptura violenta.

Para estes senhores e senhoras, nós somos mera estatística, somos números que contribuem ou atrapalham seus lucros. Além de nossas lamúrias, a natureza e o
meio ambiente são vorazmente degradados para o sustento de suas mansões, iátes e aviões.

Podemos não ter os nomes longos, ou os vários sobrenomes, como a nobreza tinha e essas famílias ostentam. Somos Josés, Marias, Pedros e Natálias, anônimos para o glamur. Mas estamos atentos, não nos esqueceremos jamais, criaremos um poder horizontalizado, um mundo de igualdade política e econômica e quando essa hora chegar, será também a hora de exterminar todos os parasitas sugadores de alma. Digo mais, as arapucas estão sendo armadas e vocês estão prestes a cair.

Éntão é isso, muita tesão e autogestão para os de baixo.

Até mais, se inscrevam no canal.

 

Espertirina Vai Falar – Quem foram os Yippies ?

Os chamados Yippies e seu Partido Internacional da Juventude, foram um orientação radical dos jovens da contracultural revolucionária. Era uma ramificação libertária dos movimentos anti-guerra da década de 1960. O movimento foi fundado em 31 de dezembro de 1967 na cidade de Nova York. São descritos como altamente teatrais, anti-autoritários e anarquistas. Por isso se organizavam em estruturas horizontais onde não existiam líderes.

Sua ideologia era uma mistura entre o socialismo libertário ou coletivista, o anarco-comunismo, o anarquismo verde e é claro o movimento do paz e amor e do amor gratuito.

Abbie Hoffman, Anita Hoffman, Jerry Rubin, Nancy Kurshan, e Paul Krassner fundaram os Yippies. Porém houve 3 gerações do movimento, passando por ele jornalistas, hackers e ativistas de todas as espécies. De acordo com seu próprio relato, Krassner cunhou o nome. Ele disse “Se a imprensa tinha criado o ‘Rippie’, não poderíamos nos cinco criar os ‘yippie ‘? “.
Precisávamos de um nome para significar a radicalização dos Rippies, e eu vim com Yippie como um rótulo para um fenômeno que já existia, uma coligação orgânica da psicodélia Rippies e ativismo político. No processo de fertilização cruzada em manifestações contra a guerra, nós tínhamos vindo a partilhar a consciência de que havia uma ligação linear entre colocar as crianças na prisão por fumar maconha neste país e queimá-las até a morte com napalm do outro lado do planeta.
Anita Hoffman gostava da palavra, mas sentia que o povo precisava de um nome mais formal para levar o movimento a sério. Naquela mesma noite, ela veio com Partido Internacional da Juventude, ou em inglês Youth International Party, siglas Y I P portanto seus membro eram Y I P pies que fazia um bom jogo de palavras.

Uma bandeira Yippie foi frequentemente visto em manifestações anti-guerra. A bandeira tinha um fundo preto com uma estrela de cinco pontas vermelha no centro, e uma folha verde de maconha sobrepondo ela. Quando perguntaram sobre a bandeira Yippie, um ativista anônimo identificado apenas como “Jung” disse ao New York Times que “O preto é para a anarquia. A estrela vermelha é para o nosso programa de cinco pontos. E a folha é de marijuana, que é para ficar ecologico e pela sua descriminalização. ”

O conceito Yippie do “New Nation” era um chamado para a criação de alternativas, instituições contraculturais como: cooperativas de alimentos, jornais independentes, clínicas gratuitas, etc. Os Yippies acreditavam que essas instituições cooperativas e uma cultura Rippie radicalizada se espalharia pelo mundo até que superaria o atual sistema.
“Somos um povo. Somos uma nova nação”, dizia o movimento em uma declaração. “Queremos que todos controlem a sua própria vida e que cuidem uns dos outros. Não podemos tolerar atitudes, instituições e máquinas cuja finalidade seja a destruição da vida e a acumulação de lucros.”

O objetivo era descentralizar, coletivizar e anárquizar a nação enraizando na contracultura Rippie um movimento sem fronteiras e cosmopolita. Sabiam que não iriam derrotar a Amerika através da organização de um partido político e democracia burguesa. Eles queriam fazer isso através da construção de uma nova nação, de um novo poder. Para eles esse poder deveria ser tão robusto como a folha de maconha. O YIP teve capítulos em todos os EUA e em outros países.

Yippies eram famosos por seu senso de humor. Muitas ações diretas eram muitas vezes satíricas e elaboravam brincadeiras. Invadir um show da banda The Who no woodstock, teatro político com pautas feministas, tentar levitar o pentagono, jogar tortas em figuras públicas e também lançar a candidatura de um porco chamado Pigasus imortal para presidente em 1968 eram algumas da zombarias ao capitalismo.

Fora isso várias são as histórias de protestos de rua e de confronto com policiais. Como no último dia da conferência Madison, 4 de abril de 1971, centenas de policiais dispersaram um bloco do partido que protestava, resultando em um confronto de rua entre Yippies e policiais.

Em 24 de setembro de 1969 houve o julgamento conhecido como “Chicago Seven” ou Os Sete de Chicago. No qual Lee Weiner, Jerry Rubin e Abbie Hoffman, do Partido Internacional da Juventude, foram acusados de conspiração para incitar um distúrbio na Convenção do Partido Democrata, em 1968. Além de formação de quadrilha. Junto a outros como David Dellinger, do Comitê Nacional de Mobilização pelo Fim da Guerra no Vietnã, MOBE; Rennie Davis e Tom Hayden, do MOBE e Estudantes por uma Sociedade Democrática, SDS e também o pantera negra Bobby Seale que acusando o juiz de racismo pediu para ter seu julgamento separado, mas antes disso teve que ser algemado e amordasado no banco dos réus antes de finalmente ter separado seu processo e ser condenado a 48 meses de prisão. Com o encorajamento do advogado de defesa William Kunstler, os acusados fizeram o que puderam para interromper e tumultuar o julgamento com atos tais, como ler poemas e cantar Hare Krishna. Pelo menos 2 anos de prisão foi dado a cada um deles, porém em 1970, as sentenças e as acusações de desacato contra os “Chicago Seven” foram canceladas após um recurso de apelação.

Os Yippies teriam continuado como um pequeno movimento no início da década de 2000, mas sem expresividade. Abbie Hoffman cometeu suicídio em 1989 com álcool e cerca de 150 pílulas de um anticonvulsivo, enquanto Jerry Rubin tornou-se um corretor da bolsa, e em 1994 foi fatalmente ferido por um carro enquanto atravessava uma rua.

Então é isso. A anarquia tem sua história e de diversas maneiras, mesmo que alguns insistam não nos querer contar, todas são válidas e nenhuma é absoluta.
Beijos, muita tesão e autogestão!

Espertirina Vai Falar! – O que vem primeiro indivíduo ou sociedade?

Olá, aqui quem fala é a gata das gata, espertirina baderneira e esse é mais um Espertirina vai falar!Quem vem primeiro? O ovo ou a galinha? PT ou PSDB? Falando e fugindo das dicotomias, hoje nos vamos falaremos de uma em específico, a famosa, indivuo versus sociedade!

Queridos isso não faz sentido! Digo logo! É uma falsa dicotomia, pois eles não são separados, estão dialéticamente interligados, numa transformação mútua, eles se completam. Ninguém tem dúvida de que os indivíduos formam a sociedade ou de que toda sociedade é uma sociedade de indivíduos. Mas parece que da direita para esquerda querem ignorar a existência de um dos dois excluindo-o de sua análise.

Veja só. Como disse Nobert Elias, só pode haver uma vida comunitária mais livre de perturbações e tensões,se todos os indivíduos dentro dela gozarem de satisfação suficiente; e só pode haver uma existência individual mais satisfatória, se a estrutura social pertinente for mais livre de tensão, perturbação e conflito.

Conflito este, pincipalmente que vem da luta de classes antagônicas. Um individuo não é só um indivíduo. Ele está imerso na luta de classes da sociedade capitalista, oprimidos(mais de um) versus opressores (mais de um). A luta de classes não é um coisa homogênea. A sociedade é a compreensão da diversidade de indivíduos. Consequentemente é por isso, que não é possivel a ditadura do proletariado ou um estado revolucionário, pois com seus moldes hierárquicos, acaba por se tranformar na dominação de um ninoria parte da classse sobre toda a classe.

Apesar disso uma das condições fundamentais da existência humana é a presença simultânea de diversas pessoas inter-relacionadas. Portanto se sociedade é o conjunto de indivíduos ,um único indivíduo não pode se sobrepor a sociedade, pois como anarquistas somos contra as hierarquias, acreditamos na constução de um mundo de horizontalidade e de igualdade. Sem falar, que as grandes transformações históricas independem, claramente, das intenções de qualquer pessoa em particular, como a história dos dominadores tenta nos convencer com seus heróis.
Somos seres coletivos certo? Então tem um porém, se o individual nao pode sobrepor o coletivo, o coletivo tem que dar margens para a diversidade e faria se fosse um poder popular e não de um minoria bilhonaria.
As próprias doutrinas seguem a cultura e tem seu ar de personificação, tomado pelo seu caráter individualista- elitista, e nomeiam-se com suas divindades; a de cristo dão o nome de cristianismo, a de Marx de markcismo, a de Calvin calvinismo.
O anarquismo é diferente é fruto do seio da classe oprimida, fruto de fulanos e sicranos que subverteram a ordem estabelecida, de um momento em que mais uma Negra quis queimar sua senzala, de mais um trabalhadora que sabotou sua máquina.
Não concebemos uma teoria geral da ascensão e declínio das sociedades como algo inevitável, absoluto.
Mas que a liberdade é coletiva, que ela não termina, mas se expande na do outro.
Somos contra o individualismo autoritário, vicio burguês, ideologia capitalista.
Queremos um coletivo não-autoritário, sem ser homogeinizante, totalitário ou ortodoxo.
Que não seja como o livro 1984, a distopia de George Orwell. Não sejamos vijiados pelo grande irmão.
Pela livre discussão.
Pela quebra dos dogmas, tabus e verdades absolutas.
Pelo equilibrio entre indivíduo e sociedade.
Viva o poder popular, viva a anarquia!

Espertirina Vai Falar! – A Dúvida é Revolucionária!

A Dúvida

É necessário algum conforto, um tipo de “chão” que explique para nós animais amaldiçoados com o ato de pensar e refletir, de onde nós viemos e principalmente qual o sentido da nossa existência, qual o sentido da vida?
Por que e pra que você vive?
A humanidade não aceita conviver com a dúvida, é uma afronta a sanidade mental, para isso a mentira e a fé, cujo eu chamo de ato de se enganar vendando-se os olhos para a necessidade de provar-me algo, realmente vem a calhar. Para mim a dúvida é o melhor conforto pra preencher o vazio da minha existência, melhor do que atribuir tudo o que não sei a um ser invisível e ficar livre do fardo, gozando da ignorância.
– Eu não sei, então é Deus…
Chamo de covardes e fracos esses indivíduos que tem medo do desconhecido, mas também entendo como quando estamos no escuro e de repente começamos a imaginar coisas, de todo jeito acho que eu não poderia ter identificado isso caso fosse algo imutável e natural. Tenho confiança que estamos a toda hora em mudança, em constante evolução e além disso fatos e “pequenas verdades provisórias” chegam a todo momento pra engrandecer nossas mentes, sanar nossas dúvidas e criar outras.
Uma coisa é certa e óbvia, esses vinte anos que virão, não serão os mesmos vinte anos que passaram-se. Algum dia nessa estrada infinita, sempre instigado a saber “o porquê”, não como indivíduo, pois sou limitado biologicamente, mas como parte do coletivo, talvez finalmente olhemos pro nada, porque o nada também pode ser alguma coisa.

Uma dúvida que pode parecer absoluta, mas que nunca será, por que ela nunca é a mesma.

Espertirina Vai Falar! – Vegetarianismo e veganismo, qual a diferença?

Oi
Este é o espertirina vai falar! E hoje vou te dizer qual é a diferença entre vagetarianismo e veganismo.

Pois tá. Primeiro o vegetarianismo então. É um regime alimentar baseado no consumo de alimentos de origem vegetal. Define-se como a prática de não comer qualquer tipo de animal, com ou sem uso de laticínios e ovos. O vegetarianismo pode ser adotado por diferentes razões. Uma das principais é o respeito à vida dos animais. Tal motivação ética foi codificada em várias crenças religiosas juntamente com os direitos dos animais. Outras motivações estão relacionadas com a saúde, o meio ambiente, a estética e a economia.

Existe uma grande variação de dietas vegetarianas em relação aos produtos que são ou não consumidos. A forma mais popular de vegetarianismo é o ovolactovegetarianismo, que exclui todos os tipos de carnes, mas inclui ovos, leite e laticínios. Há também o lactovegetarianismo, que exclui todos os tipos de carne e também o ovo. Mas é consumido leite e os seus derivados. Outra forma de dieta vegetariana é o vegetarianismo estrito: neste, são excluídos todos os produtos de origem animal, como ovos, laticínios e mel. O vegetarianismo estrito é frequentemente confundido com o veganismo. Geralmente o vegano também não utiliza produtos não alimentícios provenientes de animais, como lã, couro, seda e pele. Quando falamos em termos [exclusivamente] nutricionais, não faz diferença essa classificação. Enquanto o vegetarianismo estrito é apenas um regime alimentar, veganismo é respeito aos direitos animais – o que inclui o vegetarianismo estrito por razões éticas, mas não apenas. Os circo com animais, rodeios, produtos testados em animais, e qualquer outra forma de exploração animal é boicotada pelos veganos, ou veganarquistas. Em 2007, dois por cento do Reino Unido se declararam como veganos. Tem sido mostrado que pessoas em dietas que incluem comidas de origem animal tem mais probabilidades de terem doenças degenerativas, principalmente doenças cardiovasculares.

Donald Watson definiu o veganismo como um estilo de vida que procura excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade com os animais, para alimentação, vestuário e qualquer outra finalidade.

Então é isso! Depois venho com mais videos, contando mais coisas sobre vegetarianismo e veganismo. Compartilha esse vídeo e se inscreva no canal! E muita tesão e autogestão!

Espertirina Vai Falar! – O que é Autogestão?

Olá, seus anarquistazinhos. Não me segura que eu vou falar! E o assunto de hoje é autogestão. Oque diabo é isso mesmo?

Bem, da maneira mais simples possível, é uma forma de gerenciar e executar diretamente o que lhe diz respeito.

Como se diz auto, então siginifica que o ato de gerenciar e o de executar estão juntos e são feitos pela mesma pessoa em regime de democracia direta.

Assim não tem chefe, diretor, gerente, patrão, presidente, agente estatais ou qualquer equivalente.

Não há os que só pensam e os que só fazem, ou os que mandam e os que obedecem. Quem manda é a necessidade coletiva.

Onde se precise, é necessário discutir, organizar, racionalizar sobre a situação com todos para todos, sem intermediários.

A autogestão não pode ser confundida com controle operário, que mantém a hierarquia e o controle externo do organismo
(ou da fábrica) a algum organismo ou instância superior (como um partido político por exemplo).

Não deve ser confundida com qualquer forma de poder associado ao Estado ou “ditadura do proletáriado”.

O uso de intermediários descaracteriza uma autogestão, porque não é direto e uma autogestão é ação direta e consenso geral.

Essa forma alternativa de gestão, vem para acabar com algumas barbaridades que o capitalismo faz com a natureza, explorando-a frenéticamente;
acabar com o exercito de reserva e o desemprego e acabar com a produção voltada para o lucro;
inclusive de uma minoria dominante, onde deveria ser voltada para o bem-estar da maioria oprimida.

A autogestão, no sentido que propomos, significa o controle dos indivíduos sobre sua atividade produtiva e a colocação dos recursos materiais e dos meios de produção
a serviço da satisfação das necessidades sociais e a substituição do Estado por organizações de indivíduos livremente associados.

Veremos isso melhor em um vídeo sobre o poder popular.

São exemplos de cooperativas autogestionárias em outros países:

A famosa cerâmica Zanon, da Argentina, A editora anarquista AK Press, dos Estados Unidos e A corporação Mondragón, do País Vasco, que é a sétima maior corporação da Espanha.

Mas, e se nem sempre tivermos consenso sobre uma ação? Pelas graças da bioncê, ainda bem né não?
Já que é importante que isso aconteça, pois são das discussões e debates que chegamos a um denominador comum.

Essa prática só se aperfeiçoa com o uso.
O seu não uso faz com que fique cada vez mais difícil aceitar opiniões divergentes e a prática de consenso se torne ineficaz.

E não confunda! Trabalhar com consenso não é abrir mão de seus ideais, porque iria contra tudo que lutamos.
Autogestão é direta, é participativa, é consenso de ações!

Isso só se aprende com ação, não tem outra escola, é cada um assumir a responsabilidade de seus atos em prol da transformação social.

Assim desconfie quando ouvir ou ler autogestão, verifique se o partidos, os capitalistas, as igrejas não estão com cadeira cativa, manipulando a gestão.

Fácil de identificar, geralmente só assumem compromissos com cartas marcadas ou não assumem sem passar por seus superiores.

Isso não é autogestão, é uma ilusão de gerenciamento coletivo, mas controlado por interesses estranhos ao grupo.

Acham que somos burros, incapazes; não acreditam que as pessoas possam se autogerir sem sua magna presença.

Costumam dizer “Vamos consultar fulanos, sicranos ou pedir apoio ao comitê X do partido Y!”

Se é autogestão, quem sabe é quem participa sempre, está lá para decidir e executar o que se assume, igualmente entre todos.
Mas se um não sabe como faz mirian? Aprende! Ninguém nasceu sabendo!

É uma oportunidade de aprender, e nunca é tarde para isso.

Nós, como anarquistas entendemos que aprender é nossa necessidade mais importante, sem ela, nada somos, além de uma massa de manobra, ao sabor do vento dos aproveitadores.
Aprendamos sempre!

Como costumo dizer e hoje mais do que nunca, muita tesão e autogestão!