Espertirina Vai Falar – Revolução Russa e Kronstadt

Olá seus anarquistazinhos, aqui quem fala é cangaceiro solar, companheiro da espertirina, sou eu que vai assumir delegação pra se comunicar com vocês.

Começa agora mais um espertirina vai falar, para tratar de assuntos libertários.

Nesse ano de 2017, que comemoramos os 100 anos de revolução russa, mas nós anarquista que tipo de tradição reconhecemos na revolução russa, resgataremos importântes experiências para nosso espectro político, nesse amplo período de efervecência política. Logicamente falo daquelas que não se remete a história contada pelos vencedores, a história da tradição bolchevique. Aquela que viu

a estatização dos sindicatos, a burocratização e cooptação dos soviéts, a militarização das fábricas e outras estratégias autoritárias impostas pelos bolcheviques.

Nesse período uma tática do partido comunista, foi o genocídio político e a perseguição e matança de opositores. Somada a fome e a miséria de milhões de seres humanos, devido à requisição obrigatória e violenta de grãos e produtos agrícolas, como também o alistamento obrigatório de oprimidos para o exército vermelho. Lembrando que todos esses elementos já são de um período que se dava entre 1918 e 1921, com Lênin e Trótsky na chefia, muito antes do aclamado Stálin.

O periodo de Kronstadt, se alocando portanto logo depois do golpe de estado bolchevique em outubro de 1917. Só assim com a analise critica autocritica da historia é que podemoes transformar a história em caminho ppara a nossa prática, Só assim é que podemos também delinear duas estratégias que ocorreram nesse período. Os makhnovistas e anarquistas em geral, diferente dos bolcheviques, lutavam pelas comunas federadas e soviéts descentralizados e livres, com administrações locais. Os anarquistas não queriam dirigir a revolução, mas acompanhá-la ombro a ombro. Enquanto os marxistas falavam de revolução política, os anarquistas falam de uma revolução social. Não querem que se substitua um governo por outro, e sim eliminar

da face da terra todo o princípio de autoridade.

Há uma lógica que levou ao golpe de estado de outubro. Em lições de outubro de Leon Trotsy. A lição principal para os marxistas é que a agitação levada ao extremo só levaria ao caos. A lógica que se forma então é uma lógica autointitulada de vanguarda. A vanguarda, ou seja, partido, a minoria iluminada que iria fazer a revolução em favor da maioria desprivilegiada, deveria aproveitando a agitação conquistar o estado, ou seja, a conquista da superestrutura como nos dize marx, a partir dai, de cima pra baixo, ira ser feito uma transição, a partir de uma ditadura do proletariado, um estado dito do povo. Essa transição levaria naturalmente pelo definhamento desse estado ao comunismo. Porém o que se viu na historia foi o surgimento de uma nova classe dominante, de um novo governo, de portanto de uma nova dominação. Os anarquistas tinham outro projeto, eles foram julgados por um estado que se colocava a frente, dizendo proteger a revolução, pois os pobres ingnorantes do povo não poderiam fazer-la sozinhos. Para esses senhores os fins, justificam quaisquer meios, fins libertarios, justificariam meios autoritarios. Para os anarquistas os meios deveriam ter coerencia com os fins, pois por meios verticalizados e hierarquizados não alcançaremos a liberdade e igualdade tão sonhada. Assim como meios machistas não acabarão com o machismo, meios homofobicos não acabarão com a homofobia e meios racistas não acabarão com o racismo.

O julgamento, pode ser confirmado no célebre telegrama de Lênin a Trótski:

“Vigiar ativamente todos os anarquistas. Preparar documentos, se possível de caráter criminal para poder submetê-los a acusação. Manter secreto ordem e documentos. Distribuir instruções necessárias. Assinado Lenin.”

Um desses genocídos ficou famoso meses depois, quando a imprensa não conseguiu censurar o que houve. Foi o chamado levante de Kronstadt.

Kronstadt era uma fortaleza militar construída no século XVIII, e está localizada na ilha Kotlin, ao norte da Rússia, sobre o mar Báltico, muito próxima da Finlândia. No momento analisado, esta cidade portuária tinha 50.000 habitantes.

Sua importância como cidade está no fato de que, tanto na época czarista quanto com os bolcheviques, Kronstadt será a base principal da frota russa. Os marinheiros, ao viajar, conheciam outros regimes e traziam muitas idéias de outras partes da Europa.

O caráter revolucionário desta cidade era histórico. Havia sido uma das primeiras localidades a aderir à revolução de 1905. Ocorreu algo parecido em 1910, e em 1917 Kronstadt se converteu na “glória da revolução”, segundo Trótsky.

Em vésperas da revolução de outubro, 16.000 marinheiros de Kronstadt entram nesta cidade com bandeiras rubro e negras.

Porém, até 1921, seus habitantes, sempre defensores da revolução, começam a sentir os abusos das tropas bolcheviques. A cidade não tem autonomia, seu sóviet local começa a ser boicotado permanentemente por membros bolcheviques para acatar ordens de

Moscou. O descontentamento aumenta e durante todo fevereiro e março se produz a insurreição. Quem a encabeça são os marinheiros de Kronstadt. Exigem soviets livres, participação popular de seus habitantes, e não de dirigentes bolcheviques da capital, e, além disso, se somam as enormes greves que então sacodem Petrogrado.

Cansados de inspeções, abusos de todo o tipo e de ordens de oficiais vermelhos ex-czaristas, aliados dos bolcheviques. O que foi um dia “a glória da revolução” se converte para Trótsky na “canalha contra-revolucionária”. E o lema inicial de Lênin “todo poder ao soviéts” não tem mais coerência, quando um dos soviets se rebela ao seu poder.

Ele declara o estado de sítio e, em 7 de março, às 18:45, a 96 anos atrás, enviando

tropas de mercenários chineses e baxireses para reprimir.

Os dados contam 7.000 crianças e mulheres assassinados pelos bolcheviques. A maior quantidade de mortos se dá em 16 de março, e dois dias depois cai Kronstadt. Haviam morrido 14.000 marinheiros sublevados. De uma cidade de 50.000 habitantes, os bolcheviques assassinaram 21.000, sem contar os sobreviventes aprisionados, que foram enviados a um campo de concentração no deserto do Turquemenistão.

Apenas alguns poucos marinheiros conseguiram escapar até a Finlândia, e outros,

como Alexander Berkman e Emma Goldman, serão expulsos para os Estados Unidos.

Para o choro de quem nos acusam de sermos idealistas, em Kronstadt se praticou o anarquismo.

Os rebeldes desta cidade se opuseram ao que eles chamaram de “comissáriocracia”, criaram o Comitê Revolucionário Provisório exigindo eleições livres, ao não se sentirem representados pelos enviados bolcheviques, encarcerando por sua vez o general bolchevique Kuzmin e enfrentando os bombardeios aéreos. Os marinheiros e operários da cidade criaram uma comuna livre que durou 16 dias e que tentou ensinar para a história, mais uma vez, que a revolução não é compatível com o Estado. Porque quando triunfa o novo Estado, a revolução vai morrendo.

Sabemos que quem governa não trabalha, e quem trabalha não governa. O socialismo não pode existir se os próprios espaços de poder não estão socializados, se todo o poder é um monopólio do Estado centralizado, de um partido, de uma vanguarda ou de um líder, assim como sintetizou muito bem esse pensamento Juan Manuel Ferrário, quando disse: “Se o poder não está socializado, o socialismo é uma mentira.”

Viva aos os marinheiros dos navios Sevastopol e Petropavlovsk

Viva ao soviét de Kronstadt.

É isso. Muita tesão e autogestão. Se inscreve e compartilha pra dá aquele salve.

Até logo.

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