Minha história (Espertirina Martins) – Descubra o que foi o buquê de Espertirina!

Eaí seus anarquistazinhos……..filhos do capiroto e baderneiros……..
Hoje vou contar a minha história pra que eu possa me apresentar plenamente……..
e também vou contar aquele babado sobre a história do meu buquê explosivo como prometi ……..
Então finge que não me conhece beleza? ……..vamos começar……..
Oi meu nome é Espertirina Martins…..nasci em Lajeado, Rio Grande do Sul em 1902……
sou a mais nova das irmãs Martins, Eulina, Dulcina e Virgínia……
militante anarquista e Feminista…… Atuei em Porto Alegre, Rio Grande, São Paulo e Campos…….
Fui aluna da Escola Moderna de Malvina Tavares….. Onde também estudou meu futuro companheiro, Artur Fabião Carneiro.
Eu era das irmãs a mais intransigente do ponto de vista ideológico, segundo meu sobrinho Marat Martins.
Era de uma família de militantes anarquistas, incluindo meus pais.
Em 1925 fui morar com minha mana Eulina e seu companheiro Zenon de Almeida em Rio Grande onde participei de comícios, manifestações e passeatas.
estudei violino, adorava escrever e era uma oradora ardente, mosdétia a parte meu beim.
Com Zenon, imprimia os panfletos e jornais revolucionários e depois distribuia nas fabricas e bairros operários.
Com a mana Dulcina, que havia casado com Djalma Fettermann, fui morar no Rio…… morta de chique, na Ilha do Governador, Praia da Bandeira.
Mas depois me casei com Fabião e em seguida fui trabalhar numa empresa de publicidade em São Paulo.
Nesta cidade nos juntamos ao compa Edgar Leuenroth em atividades revolucionarias, até voltarmos para Porto Alegre.
Em 22 de dezembro de 1942 eu vim infelizmente a falecer, em virtude de complicações de um parto junto a uma apendicite.

A Batalha da Várzea

As condições de trabalho no início do século passado eram as piores possíveis.
As fábricas não tinham janelas…… os trabalhadores trabalhavam mais de 14 horas por dia, em 6 dias da semana e os salários eram miseráveis.
Aconteciam muitos acidentes de trabalho, mas não havia indenização.
Não existia o direito à aposentadoria……. Grande parte da força de trabalho era constituída por crianças de cinco ou menos anos de idade.
As crianças eram frequentemente espancadas por seus “patrões”…… Em 1920, metade dos trabalhadores das fábricas de tecidos do país eram mulheres e crianças.
Grande parte dos trabalhadores eram imigrantes vindos da Europa, em especial da Itália……..
O ano de 1917 foi tomado por grandes greves em todo o país…… A vida estava cara demais, a fome era grande mesmo entre os que trabalhavam.
Os operários, organizados em seus sindicatos, fizeram então uma pauta de reivindicações para lutar até conquistar seus direitos.
Nela, exigiam……..medidas para diminuição dos preços dos alimentos e artigos de primeira necessidade…. da água, aluguel e bondes.
Aumento dos salários…… jornada de 8 horas de trabalho e de 6 horas para mulheres…… e proibição do trabalho infantil.
Nesse ano a vida urbana foi completamente alterada.
Nesta luta toda, em Porto Alegre a brigada matou um operário…….. Os operários, em greve, organizam então o enterro do colega assassinado, que era também um protesto por sua morte.
Milhares de operários, homens, mulheres e crianças acompanharam o enterro em procissão pela Várzea, hoje avenida João Pessoa.
Na frente estava eu com apenas quinze anos…… carregando um buquê de flores com uma surpresinha.
Ao lado contrário da avenida, vinha a carga de cavalaria da Brigada Militar para reprimir a procissão dos operários.
Quando os dois grupos se encontraram, eu me aproximei dos brigadianos, que estavam prontos para atacar, e joguei a marimba monamour no meio dos brigadianos.
O buquê explodiu, matando metade da tropa e assustando os cavalos…….. Começou então uma verdadeira batalha campal, que graças ao preparo dos operários, nos saímos em vantagem.
Meses depois, em julho, estouraria a greve geral que ficaria conhecida como “A Guerra dos Braços Cruzados”, que pararia o brasil.
Participaram da greve pedreiros, padeiros, trapicheiros e estivadores, trabalhadores da Cia Força e Luz, operários das fábricas de tecidos, carroceiros, caixeiros, choferes, tipógrafos, entre outros.
Foi uma guerra do povo contra as elites para conquistar seus direitos.
Ocorriam piquetes, manifestações, apedrejamentos, barricadas, motins e ocupações de fábricas todos os dias.
Graças a toda a batalha, foram conquistadas as 8 horas de trabalho…… o fim do trabalho infantil…… a aposentadoria……
A licença-maternidade…… o direito à assistência médica e a indenização no caso de acidente de trabalho.

Fontes:
http://www.anarquista.net/espertirina-martins/
http://dancasdasideias.blogspot.com.br/2013/05/irmas-martins-beleza-rebelde-em-quatro.html